terça-feira, 15 de agosto de 2017

VISTAS DE PROVA

Prezados alunos,
as  vistas da prova será amanhã durante o período de aula (16/8) e depois das 10h às 12h no laboratório de Políticas Públicas (sala 13 / térreo do Bloco Delta).
A turma foi muito bem novamente, houve maior número de As do que de outras notas. 10 grupos ficaram com A, 9 com B, 4 com C e 1 com D.
Algumas análises me surpreenderam pela maturidade, originalidade e pela constituição da ponte com a atualidade.
Ainda não consegui passar as notas. Assim que o fizer divulgarei por aqui.
Att

O MESTIÇO SOB A ÓTICA DE GILBERTO FREYRE

Autor da obra “Casa-Grande e Senzala”, publicada em 1933, Gilberto Freyre foi um dos maiores intelectuais deste país. Neste clássico da sociologia, o autor faz uma leitura do homem brasileiro pouco explorada até aquele momento. Freyre faz um grande elogio à miscigenação, considerada por ele como uma das identidades do Brasil. Desta forma, reconhece a importância, não só do português, mas também do indígena e do negro no desenvolvimento cultural e racial do Brasil.

Em "Casa Grande e Senzala" nota-se que, para entender o processo de formação do povo brasileiro, é necessário entender as relações entre as etnias, isto é, a mestiçagem. Contra o discurso em voga naquela época, Freyre rejeita as afirmações que se baseiam na superioridade de uma raça sobre a outra. Também questiona a suposta fragilidade biológica e cultural resultante da miscigenação entre
brancos, indígenas e negros. O autor percebe que existe, na verdade, uma união estável entre estas três etnias, cujo resultado é o mestiço. Segundo Freyre, a mestiçagem não é uma criação americana, mas sim ibérica. Logo no início do primeiro capítulo, Freyre mostra que, o contato anterior dos portugueses com os mouros, gerou nesses colonizadores características particulares: os fizera mais adaptáveis em situações de interação com outros povos.

Essa miscigenação não foi apenas biológica, mas também cultural. Não foi somente a flexibilidade do português que favoreceu a interação entre as três etnias. Freyre também ressalta a relevância do negro e do indígena nesse processo. Aspectos como a linguagem, traços psicológicos (alegria, bondade, entre outros), alimentação e costumes dos negros foram absorvidos pelo branco europeu, que reconheceu a adaptabilidade dos africanos à situação tropical. Em relação ao indígena, o autor diz que este foi aproveitado no desbravamento de terras e propriedades, porém, dá maior destaque e importância à mulher, tanto na idealização para o amor, quanto no projeto de difusão econômica agrária. Para ele, todos esses elementos se incorporam em uma harmônica construção social.

Resumidamente, de acordo com Gilberto Freyre, a mestiçagem estabeleceu um aspecto democratizador nas relações étnicas no Brasil, corrigindo as distâncias sociais. Na época da publicação do livro, tal visão foi considerada inovadora, verdadeiramente revolucionária. Casa Grande e Senzala, além de dar ênfase a questões muito pleiteadas no país, ajudou-o a desprender-se de visões pessimistas e a inserir o negro no papel de sujeito formador do brasileiro, juntamente com o
português e o indígena. Portanto, a obra possui uma ampla importância historiográfica, ao passo que reinventou a maneira de compreender a sociedade colonial, possibilitou reflexões sobre diversas de suas construções e ofereceu um novo significado do mestiço para o brasileiro.

Gabrielle Antoniassi e Kamila Alves são discentes do Bacharelado de Ciências e Humanidades da UFABC.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Miscigenação e Democratização Social no Brasil

Abordaremos nesse texto a questão da miscigenação presente no prefácio de Casa grande e Senzala, e uma de suas principais consequências na visão de Freire, a democratização social no Brasil.
        O autor destaca que as relações entre os brancos conquistadores e as demais “raças” (negra e indígena) foram condicionadas desde o primeiro momento da colonização, por dois fatores. Por um lado pelo mundo trabalho baseado no sistema de produção escravista do latifúndio e da monocultura, e do outro lado no campo das relações sociais pela miscigenação, devido em grande parte pela escassez de mulheres brancas, um problema crônico na colônia. Os portugueses conquistadores do território devido a sua superioridade técnica e militar sobre as populações indígenas, também eram os dominadores e senhores absolutos sobre uma enorme massa de africanos negros importados e escravizados para trabalhar nas plantações e nas demais atividades produtivas da colônia.


        No entanto, devido à escassez de mulheres brancas, Freire identificou “a criação de uma zona de confraternização entre vencedores e vencidos”, um eufemismo para descrever “as relações sociais e genéticas” entre os brancos europeus e as mulheres negras e indígenas, as quais foram colocadas na condição de objetos de satisfação sexual dos homens brancos. Essas relações foram de poder e opressão dos homens sobre as mulheres consideradas de “raças inferiores”. No caso senhores “sádicos e desabusados” exploravam sexualmente escravas passivas. Porém, segundo Freire, algumas relações que se “adoçaram” devido à necessidade de muitos colonos constituírem famílias, se transformaram em relações oficiais e aceitas na sociedade, apesar de fundadas em uma base patriarcal e opressiva.

        Ainda segundo Freire a miscigenação ajudou a reduzir ou corrigir a distância que de outro modo se conservaria imensa entre a casa grande e a mata atlântica e entre a casa grande e a senzala. Logo, a mestiçagem contribuiu como um contraponto entre a “aristocratização” da sociedade, pois a estrutura monocultora escravocrata colocava num polo senhores e no outro os escravos, enquanto a miscigenação agiu em sentido oposto para aproximar socialmente esses extremos.
        Como consequência a conclusão a que Freire chegou foi que o resultado dessa miscigenação, filhos legítimos e ilegítimos, serviu para subdividir por meio das heranças parte considerável das grandes propriedades, quebrando assim a força dos latifúndios que concedidos através de sesmarias eram do tamanho de reinos, o que promoveu, ou ajudou a promover a democratização social no Brasil. Uma visão controversa e romântica tendo em vista a grande concentração de propriedade fundiária no país. Freire não se deu em conta que a grande massa de mestiços constitui hoje em dia a maior parte dos empobrecidos e despossuídos, um detalhe que passou despercebido em sua análise.

Luiz José Palhares de Souza Freitas é historiador (USP) e discente do Bacharelado de Ciências e Humanidades da UFABC.

Livros sobre História da África


Abaixo, link da coleção da história geral da África em aula.
segue o link com os 8 volumes disponíveis para download no formato PDF.
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/ResultadoPesquisaObraForm.do?skip=0&co_categoria=132&pagina=1&select_action=Submit&co_midia=2&co_idioma=&colunaOrdenar=DS_TITULO&ordem=null

(Dica do aluno Richard Moisés de Oliveira)



Comunicado

Prezados alunos,

com o término da programação desse quadrimestre, na próxima semana não haverá aula na 2a. feira e na 4a. feira (dia 16) haverá prova substitutiva para quem perdeu alguma das avaliações. O conteúdo dessa prova substitutiva será o mesmo da avaliação correspondente. Ex. se a pessoa perdeu a atividade do blog, o documentário do Abdias será esse o conteúdo, se perdeu o seminário, será esse o mesmo conteúdo do seminário, etc.

Quando tiver finalizado as correções, divulgarei as notas por aqui e marcarei um dia para tirar dúvidas.

Fico no aguardo das digitações das provas (P1) com conceito A.

att